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Desenho bonitinho

Olá, sou o Leo da T15.

Como aqui só havia reclamações, coloquei umas piadas e um desenho bonitinho para melhorar o ambiente.


PhD Comics

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xkcd

Recentemente descobri o xkcd, e desde então acho que são os quadrinhos mais perfeitos que existem. São simples, bonitos e profundos. http://www.xkcd.com

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Alguns problemas do CM

Aproveito este espaço para expressar algumas opiniões estritamente pessoais sobre algumas coisas que eventualmente me incomodam no CM. Desculpe se só falo coisas ruins, certamente os aspectos mencionados não são representativos em relação ao CM. Acho o CM um curso excepcional, e que todos deveriam poder ter acesso, e gosto muito dele. Acho as pessoas do CM um grupo bastante peculiar, muito legais e interessantes.

Na verdade nem sei se ainda considero as coisas abaixo problemas relevantes do CM, mas as mantenho por sua potencial utilidade eventual...

Problemas dos alunos

Preconceitos

Às vezes vejo algum preconceito a respeito de professores e livros. Não é o maior problema do mundo, mas acho que é relevante e tem uma influência razoável no comportamento dos alunos.

Acho muito justo que os alunos do CM sejam bastante críticos e rigorosos, afinal, querendo ou não, somos treinados para isso. No entanto, vejo pessoas aceitando opiniões alheias sem duvidarem delas, e as propagando despreocupadamente. Acho que isso traz prejuízos a todos. É injusto com os professores, que mal sabem, já recebem uma sala cheia de receios e desconfiança, independentemente de qualquer tentativa de mudarem suas aulas, e correm o sério risco de serem prontamente julgados e condenados bastando que seja feito o menor delize. Como estudantes críticos, acho que deveríamos ter a mente aberta e questionar os modelos e paradigmas que nos são dados, ainda mais se referindo a seres tão dinâmicos como são os seres humanos. Não estou dizendo que não temos professores problemáticos, só estou dizendo para sermos mais objetivos, acertivos e realmente críticos, ao invés de aceitarmos simplesmente preconceitos trazidos por turmas anteriores.

O problema dos livros é menos grave, mas também existe e traz conseqüências negativas. Há livros mais ou menos bem escritos, mais ou menos densos, mais ou menos formais, mais ou menos de uma certa linha, mais ou menos adequados a certo curso, certo propósito, certos gostos literários. Mas acho que assim como fazemos com os professores podemos estar fazendo com os livros, descartando bons textos, bons autores, simplesmente porque alguém não gostou, ou porque o livro não é tão bom quanto outro em determinado tópico.

Um outro tipo de preconceito, mais difícil de julgar, mais subjetivo, mas que também identifico é um pretenso rigor cético científico que permeia a mente de muitos moleculentos. A ponto de não só desacreditarem em qualquer coisa que não seja "cientificamente provada" como negarem tais coisas. Penso que isto também, não passa de um preconceito, e acho que negar algo sobre o que não se sabe é tão grave quanto afirmá-lo. Acho que como cientistas devemos ser rigorosos e críticos ao analisar experimentos, métodos, teorias, formalizações, inferências, é nesse "conservadorismo" que se baseia a segurança do conhecimento científico; mas não acho que isso inclua desprezar como simplesmente falsas as coisas que não atingem um grau de certeza tão grande, ou as pessoas que consideram a hipótese dessas coisas. Não estou falando especificamente de religião ou homeopatia, falo de qualquer idéia que ainda não esteja sujeita a um estudo conclusivo e consensual.

Estes parágrafos não se referem a ninguém em especial, e não aponto nenhum caso particular como preconceituoso, mas identifico uma certa tendência.

É isso, não sei se alguém concorda, mas é minha observação particular. Sintam-se livres para comentarem.

Só para constar, não me posiciono acima destas críticas, preconceitos são coisas comuns e muitas vezes de difícil identificação. Mas acho que é um assunto que merece atenção.

Dificuldades de se expressar

Outro problema, talvez de preocupação mais individual, mas que também acho importante, são dificuldades de se expressar encontrados nos alunos do curso. Não acho e nem vejo nenhum motivo para que os alunos do curso tenham mais dificuldade do que alunos de outros cursos (exceto talvez alunos de cursos mais relacionados à expressão, como letras, jornalismo ou artes), mas acho que dadas as condições excepcionais que o curso proporciona (que vejo como muito positivas), como salas pequenas e proximidade entre professores e alunos, elas se tornam mais evidentes e relevantes.

A capacidade de expressar-se com precisão é uma qualidade praticamente necessária a um pesquisador, e de grande utilidade prática no cotidiano, etc. No entanto vejo bastante dificuldade nos alunos neste aspecto. É um problema complicado, por se tratar de uma habilidade de desenvolvimento pessoal, me refiro à capacidade individual de se identificar problemas/situações, e saber descrevê-las com precisão, sem ter de recorrer a opiniões alheias menos adequadas, e saber fundamentar o próprio discurso em fatos objetivos. As situações em que isto ficou mais evidente foi nas circunstâncias em que precisávamos discutir problemas com professores e suas aulas. E achei pessoalmente que muitas vezes as critícas acabavam sendo fracas ou de pouca utilidade pela dificuldade dos alunos em identificar aquilo que os incomodava, e o expressar.

Não acompanho muito de perto as discussões da lista do CM, mas acredito que grande parte dos desentendimentos resulte desse tipo de dificuldade.

É um problema que, como o anterior, depende de cada um, da auto-crítica pessoal e prioridade de dedicação ao problema... enfim, é só mais uma coisa que eu acho.

Problemas do curso

Processo seletivo

Creio que a maioria de nós que cursamos não tenha grandes problemas com o processo seletivo, afinal todos nós passamos. Mas isto é indistinguível de um viés causado pela própria seleção: os insatisfeitos não estão aqui para reclamar.

Pode muito bem ser apenas mágoa minha, uma vez que não fui aprovado na primeira vez que prestei, entrei na segunda vez. O período que passei no meu curso de origem certamente foi proveitoso (embora coincidisse com uma parte razoável das matérias vistas no CM), mas preferiria ter passado na primeira vez.

Enfim, a minha crítica não é nova, é a arbitrariedade intrínseca do processo seletivo. Esse assunto é trazido à tona com certa freqüência, sempre acompanhado de piadinhas como "jogam-se papeizinhos com os nomes para o alto da sala de reuniões e são aprovados os que caem em cima do armário" (ver o artigo processo seletivo), o que só reflete o caráter obscuro e aparentemente arbitrário que do tal processo.

Acho que é praticamente impossível criar um processo de seleção de seres humanos útil sem arbitrariedade, testes de múltipla escolha permitem que as pessoas passem por ter mais sorte, testes escritos dependem da interpretação e do rigor do corretor (e capacidade de OCR às vezes), testes orais (como a entrevista) eu nem imagino.

Claro que uma dinâmica de grupo permite ter acesso a muito mais informações do que um teste escrito, supondo que o candidato esteja em boas condições físicas e mentais no dia, não seja intimidado demais pela situação da entrevista (ou isto faz parte dos critérios?), tenha a sorte de cair num grupo em que os outros candidatos não falem demais bloqueando uns aos outros tentando atrair a atenção para si, ou pensem mais rápido e resolvam o problema primeiro. Não tenho uma proposta de solução, não sei se outro processo traria "melhores resultados" (seja lá o que isso for), mas acho que no mínimo o processo deveria ser um pouco mais aberto em relação a seus critérios.

A questão de se aprender direito

Esta é uma reclamação comum no CM, e acho que expressa um sentimento que quase todo o moleculento sente em algum momento do curso: passar pelas matérias e achar que não aprendeu direito (às vezes até achar que não aprendeu nada).

O CM tem pela USP a imagem de um curso difícil, de gênios, com os melhores professores, exigente (afinal não se pode reprovar), e que forma supercientistas (afinal você aprendeu matemática, física, química, biologia e computação!). Esta imagem não é totalmente falsa, mas tampouco é verdadeira. Não acredito que seja o curso mais difícil (talvez nem esteja entre eles), não acho que em média os alunos sejam tão mais inteligentes que nos outros cursos para ser chamados de geniais coletivamente, temos professores muito bons e outros que deixam bastante a desejar, o curso por vezes é exigente mas é flexível e tem várias regalias, e também não acho que nós saímos de lá sabendo todas estas coisas, aliás, bem pior que isso.

No evento da Fuvest, de divulgação do curso, os professores falam que um dos objetivos é que o curso forme pessoas que sejam capazes de falar e entender as diversas línguas da ciência. Este é um objetivo que sim, acho que o curso consegue obter. Mas é difícil vir de um curso em que só se vê uma única área do conhecimento, e de repente ter de estudar muitas outras coisas que às vezes nem se sabia existir. É difícil aprender os diferentes modos de se raciocinar de cada uma delas, apreender seus conceitos-chave, sua terminologia, sua metodologia, e entender sua importância e função. Eu acho que é por isso que apesar de não ser um dos cursos com maior carga horária ("moderados" 28 créditos por semestre), acaba sendo um dos mais pesados. Lembro-me que no meu curso de origem (Bacharelado em Matemática) havia uma preocupação em distribuir-se as matérias mais exigentes entre os vários semestres. Isso não pode ocorrer no CM, ou não nos formaremos em 4 anos.

Mas é mais difícil; a fim de se criar um curso básico de cada uma destas ciências, muitas disciplinas se tornam extremamente densas (como bioquímica), sendo dadas em grandes quantidades de informação e pouco tempo, deixando a cargo dos alunos estudarem (afinal temos muito tempo livre para estudar) para conseguir acompanhar a matéria (o que acabamos não fazendo ou fazendo insuficientemente) e quiçá até aprendê-la (porque é bastante diferente estudar para se aprender e estudar para ser aprovado), enquanto se estressam por não poderem levar todas as matérias ao mesmo tempo. E é claro, você não pode trancar e você não pode escolher outra turma ou outro professor para cursar a disciplina. Se não gostou, você sempre pode voltar para a unidade de origem (e ter de esperar até o fim do semestre ou ter um problemão em ajeitar suas disciplinas por causa das dependências, a não ser que retorne exatamente no meio do ano).

Acho que é por tudo isso que nós moleculentos sofremos, e alguns de nós compreensivamente optam por desistir (há também outras motivações, como as financeiras). Optamos por uma carreira difícil, um curso promissor e exigente, e ainda temos de enfrentar algumas exigências extras do curso, o que pode servir para nos formarmos em menos tempo (e talvez irmos mais rápido para a pós), mas pode estar prejudicando seriamente o aprendizado das disciplinas, os alunos, e o projeto inter ou multidisciplinar do curso.